terça-feira, 2 de março de 2010

Cuba, os meios ocidentais e o suicidio de Orlando Zapata Tamayo

(...)
Zapata, preso político ou recluso de direito comum?

Desde 2004 a Anistia Internacional (AI) o considera como um "prisioneiro de consciência", entre os 55 que há em Cuba, e assinala que Zapata empreendeu uma greve de fome para denunciar suas condições de detenção, mas também para exigir coisas impossiveis de conseguir para um recluso, a saber, um televisor, uma cozinha pessoal e um telefone celular para chamar sua familia. Ainda que não seja Lúcifer em pessoa, Zapata não era um recluso modelo. Com efeito, segundo as autoridades cubanas, foi culpado de varios atos de violência na prisão, particularmente contra os guardas, até o ponto de que sua condenação foi agravada até 25 anos de prisão.

Curiosamente AI não menciona em nenhum momento as supostas atividades politicas que levaram Zapata à prisão. A razão é relativamente simples: Zapáta nunca realizou atividades antigovernamentais antes de seu encarceramento. Ao contrário, a organização reconhece que foi condenado em maio de 2004 a três anos de prisão por "desacato, alteração da ordem pública e resistência". Esta sanção é relativamente leve comparada com a dos 75 opositores condenados em março de 2003 a penas vão até 28 anos de prisão "por terem recebidos fundos ou materiais do governo estadunidense para realizar atividades que as autoridades consideram subversivas e prejudiciais para Cuba", como reconhece AI, o que constitui um grave delito em Cuba mas também em qualquer país do mundo. Aqui AI não pode escapar de uma evidente contradição: por um lado qualifica essas pessoas de "prisioneiros de consciência", e por outro admite que cometeram um grave delito ao aceitar "fundos ou materiais do governo estadunidense".


Vejam o texto completo em REBELION.ORG

5 comentários:

José Elesbán disse...

3!

José Elesbán disse...

Questões semânticas são interessantes. Embora uma greve de fome possa resultar em morte, não me parece que isso possa ser chamado de suicídio. Ainda é greve de fome.

zejustino disse...

Foi uma greve de fome sim e o Zapata teve assistência do governo. Prefiro acreditar nos informes do governo cubano e de diversos meios de informação fora de Cuba do que acreditar naqueles meios que defendem descaradamente os assassinatos seletivos do governo israelense, as guerras promovidas pelo complexo industrial-militar ianque e os golpes militares do tipo de Honduras e o que houve contra o Chávez.

José Elesbán disse...

Pois é. Como eu disse, uma greve de fome não é um suicídio.
E não estou defendendo os assassinatos seletivos de Israel, as guerras promovidas pelo complexo industrial-militar dos Estados Unidos, nem golpe de Honduras, ou o golpe contra Chávez.

Unknown disse...

Cuba é aqui

Os democráticos inimigos da ditadura cubana sofrem de indignação seletiva. Ninguém ousaria defender que um presidente brasileiro se negasse a visitar os EUA sob a alegação de que o país tortura inocentes em campos de concentração. E ai do jornalista que constrangesse o mandatário, em visita à Casa Branca, a se pronunciar sobre o tema.
Os adversários de regimes autoritários curiosamente silenciam sobre a proibição da Marcha da Maconha no Brasil (para citar um exemplo inofensivo). A Justiça viola preceitos constitucionais básicos ao nosso lado, mas, claro, temos outras prioridades. Democracia nos olhos dos outros é refresco. Sorte que existe o Fidel para nos distrair de nossas próprias instituições putrefeitas.